Engenheiro Schmidt


Saímos do Hotel Fazenda Foz do Marinheiro, em Cardoso, em direção a Engenheiro Schimdt, cidade conhecida pelos “doces caseiros”, onde tenho uma grande história em comum, que contarei rapidamente.

Durante os anos 80, quando estudava Arquitetura e Urbanismo na escola de Belas-Artes São Paulo, eu saía de Votuporanga, parava em Engenheiro Schimdt e enchia o meu carro com os doces caseiros da Dona Noêmia (na época, atendido por ela) e seguia viagem. Logo na segunda-feira, eu parava na faculdade e no banco do Estado de São Paulo, na avenida Paulista, onde tinha conta e lá fazia toda a entrega.

Meus clientes foram fiéis durante todo o tempo da minha faculdade e os doces de Schimdt ajudaram-me a ter mais tranquilidade financeira para me formar.

Esta pequena história mostra a importância do turismo no qual a qualidade de um produto faz com que uma pequena cidade se torne conhecida, visitada e disputada, e consiga dar poder econômico para muitos.

 

A fabricação de doce cresceu, modernizou-se e hoje é administrada pelos filhos de Dona Noêmia. Nasceram outras fábricas de doces e o nome da cidade se difundiu.

Com 18.157 habitantes, Engenheiro Schimdt é vizinha de São José do Preto e hoje as cidades já estão praticamente unidas territorialmente.

Visitamos a Praça da Matriz, que recebe o nome de Santa Apolônia, a padroeira da cidade e protetora dos doentes da face e da boca, padroeira dos dentistas.

Ouvimos a história contata pelo guardião da igreja. Diz ele que a santa, na época do Império Romano, vinha de Alexandria e foi cruelmente perseguida pelo imperador Décio, o mais cruel perseguidor dos cristãos. Santa Apolónia manteve-se fiel ao cristianismo, dizendo preferir morrer queimada a ter que abandonar sua crença.

Sofreu terríveis torturas em praça pública, onde seus dentes foram arrancados e sua face foi deformada. Mesmo assim, jogou-se na fogueira. Saiu ilesa, mas os perseguidores a mataram decapitada pelos golpes das espadas.

Foi o fazendeiro Fernando Semedo quem resolveu construir a capela de Santa Apolónia e fazer a doação oficialmente. Hoje a matriz é diocese.

O local concentrava tropeiros que vinham de Minas Gerais e Mato Grosso e a cultura era o café, que se desenvolveu com sucesso.

Saímos da Matriz e vimos um mural dizendo sobre o caminho de sete quilômetros criado pelo Padre Mariano. A primeira peregrinação deu-se em 20 de outubro de 2007.

Esta inicia na Matriz de Santa Apolónia, passa pela Capela do Beato Mariano e finaliza em Cedral. Fomos à capela do Beato Mariano, que na verdade é muito próxima da Matriz e lá fomos gentilmente recebidos pela diretora do asilo, ex-Colégio Santo André de Rio Preto. Aí soubemos que o Colégio Santo André iniciou suas atividades em Engenheiro Schimdt como colégio interno. Hoje está em São José do Rio Preto e o edifício abriga 180 idosos mantidos pela prefeitura e por uma ONG.

Soubemos que Beato Mariano recebeu a ordem do Vaticano após o milagre provado por um dos estudantes do colégio Santo André. Já desenganado, volta à vida ativa após um fervoroso pedido de sua mãe.

Histórias como estas podem ser atração para uma enorme gama de turistas. Se as cidades prepararem-se com um bom receptivo e guias preparados existe a possibilidade de serem desenvolvidas.

 

Quantas vezes fomos a lugarejos longínquos na Europa atraídos por histórias como esta. Como a estação de ferro, que, a princípio, atendia apenas aos fazendeiros locais. Hoje recebe trens de carga e aguarda a aprovação do Trem Caipira, com projeto para um passeio de Schmidt a São José do Preto.

Certa vez, fizemos um passeio na Califórnia com um pequeno trajeto como este e tivemos um almoço com degustação de vinhos. Inesquecível.

Este projeto pode mudar a vida de uma região e de duas cidades. Com o trem poderão vir restaurantes, hotéis e a valorização do turismo religioso. Para finalizar o passeio, conseguimos ver a máquina do trem passar. É um passeio realmente pitoresco e delicioso.

 

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inexx869
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